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Pequenos Dramas

Nem tudo é um mar de rosas mas também não são grandes problemas, sou só eu que ando com tempo livre a mais.

A estadia no Vietname está mesmo a terminar e eu decidi relatar alguns dos draminhas que tenho. Aqui vão eles:

Não ser atropelada ( é uma luta diária)

Sei que posso estar a ser repetitiva com esta conversa do trânsito infernal e louco da Ásia mas isto é uma questão de sobrevivência. Há coisas que não se explicam e um delas é eu ainda não ter sido atropelada. Nesta terra a cor do sinal verde, vermelho e amarelo tem todo o mesmo significado: não parar.

Existir sentidos também importa pouco, tudo é possível e andar em contramão é o prato do dia, dá trabalho seguir na faixa certa. As passadeiras também está quieto de pôr o pé no travão, sinceramente acho que nunca vi nenhum​ veiculo a parar numa passadeira.

A nós, os peões, resta-nos seguir com confiança. A palavra chave para atravessar a rua é atitude. Uns tempos por aqui já me garantiram um curso em passar a estrada ao estilo velocidade furiosa.

O processo é mais ou menos isto: pé na estrada e avança um passo, verifica que no momento só estão a passar 10 motas, é seguro, avança mais 3 passos e leva com uma buzinadela mas não pode vacilar porque recuar é estritamente proibido, iria confundir os condutores. Pelo meio ainda são capazes de passar dois ou três autocarros e que estão nem aí para o pessoal que segue a pé.

Volta averiguar e entre motas e carros que cruzam o frágil corpo humano teme-se o pior, a vida pode acabar ali. No entanto, para a frente é que é caminho por isso ignora-se o perigo e entre o limbo desta selva a motor consegue-se chegar ao outro lado da rua. Termina-se em pulgas mas a felicidade acaba num segundo, há outra estrada para atravessar 100 metros à frente.

E se pensam que andar no passeio é mais seguro estão enganados. A probabilidade de o passeio estar livre é quase nula, aqui o passeio é parque de motas e esplanada de restaurantes. Se por acaso existir um espacinho no passeio este pode ser tão ou mais perigoso que a estrada e eu explico como é que isto é possível.

As motos não querem saber se é passeio, aqui vale tudo e em hora de ponta toca a galgar o passeio para ultrapassar a fila. Isto é perigoso porque o peão segue ali na sua vidinha e de um momento para o outro é tocado com a rodinha do veículo. O melhor aqui é voar, tragam assas se cá vierem.

Maior aventura do que vir sozinha para a Ásia, é ser peão na Ásia.
Neste momento e com o este curso estou pronta para cruzar a A1 de olhos vendados. Tragam de lá essa autoestrada.

Overdose de ovos

Olá o meu nome é Ana Teresa e tenho uma dependência. Não sei como confessar este meu (grande) problema mas a verdade é que é grave.  Eu adoro ovos, sempre os adorei e então aqui sou ovo dependente, e isso deve estar a disparar o meu índice de colesterol assim para a zona vermelha.

O ovo é meu grande e fiel companheiro, a carne às vezes não se sabe se é de cão ou porco e o peixe…hum não me arrisco. Desta forma o ovo transformou-se no meu alimento seguro. Ovo é eu amigo, o ovo é meu companheiro. Manda vir egg fried rice, noodles de ovo, omelete, ovos estrelados ou mexidos, pão com ovo e vegetais, ovo com tudo e mais alguma coisa. Não há critério. Comigo é assim, marcha ovo de toda a maneira.

Pelas minhas contas, e gostava de estar equivocada mas não estou, desde que vim para Ásia, ou seja desde de 15 de janeiro, já comi cerca de 180.

Isto quer dizer que mais coisa menos coisa, como quem diz mais ovo menos ovo, a média é três por dia. Já para não falar que estes são os ovos que “vejo”, há outras coisas que como e que desconfio que também os devem conter.

Vai ser difícil mas quando voltar a Portugal terei que me reabilitar, o meu corpo precisa de descanso de claras e gemas.

Mãe, prepara um bitoque com ovo a cavalo para quando eu chegar.

“No thank you” todo o dia

Não sei se é por já estar pelo Vietname há um mês mas há coisas que já me incomodam um bocado.
Já não aguento comida vietnamita, só o cheiro, principalmente das bancas da rua, já me dá a volta ao estômago. Dizer em média 30 vezes ” no, thank you” também já cansa.

Não, não quero uma “motorbike”. Não obrigada mas não quero nem comprar mais roupa nem mais souvenires. Não obrigada, não quero essa frutinha descascada. Não, não quero esses spring rolls e esses noodles vegetarianos. Não obrigada, prefiro ir a pé. Não obrigada, não preciso de tour. Não, não quero uma massagem. Não, obrigada! Eu sei que é o vosso trabalho, não vos culpo mas não quero nada, obrigada.

Spray all day, spray all night

Ando sempre a pôr coisas na pele e o problema é eu ser uma sensível do pior. Esta minha pele é flor de estufa .Ora de dia está um calor absurdo o que torna a tarefa de andar na rua algo insuportável, sol é fortíssimo.

Antes de sair à rua toca de pôr protector solar, factor 50 que isto aqui não se brinca, em todo o corpo. E mais recentemente pôr abundantemente na tatuagem que fiz no Nepal, é uma preocupação, tento sempre não apanhar sol na zona. Ainda assim o protector não me livra de um bronze à pedreiro com toda a categoria.

À noite o caso muda de figura, ou melhor, muda de spray. Não posso sair à rua de noite sem camadas brutas de repelente, também ele factor máximo. Aqui os bichos atacam forte e feio. Já fui picada umas 20 vezes e o problema é que não são babas normais, estas queridas ficam inchadas e depois roxas. Acho que as pessoas pensam que tenho um problema de pele.

Viva aos sprays e ao fenistil!!

E sim esta sou eu a queixar-me de algo quando estou de férias e no Vietname, eu sei que parece idiota mas de momento são os meus problemazinhos.

Só para terminar devo dizer que adoro ovos. Acho que ainda não tinha dito. Ovo é vida (exagero, desculpem).

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1 Comment

  • Reply
    O regresso – Nowtrip
    10 Março, 2018 at 4:12 PM

    […] ao mesmo tempo muita calma. Do Vietname o passeio e o voluntariado, o conhecer e o sentir mais. Na loucura das estradas e na paz do campo o Vietname não se […]

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