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Faces de Banguecoque

Nas viagens ou na vida a primeira impressão pode ditar o encanto e a empatia que sentimos pelos lugares, pessoas e coisas.

Nas viagens ou na vida é preciso repetir as experiências, é necessário voltar aos sítios e ver tudo de novo ou em novo. Nunca teremos tempo suficiente para avaliar os lugares, nunca veremos um terço da sua essência. Julgaremos pela meia dúzia de dias, ou menos, que lá estaremos. Não chega. Nunca vai chegar. Precisava, e queria, mais de uma vida para conhecer por dentro o mundo.

Banguecoque não é uma cidade com um só modo de estar. Banguecoque é, por si só, várias formas de viver. E eu mudei a minha percepção da cidade com as duas visitas que fiz (ainda há salvação para Koh Tao, regressar um dia).

Da primeira vez ficámos na zona antiga da cidade, das casas pequenas e dos templos em cada esquina. Das centenas de tuk tuk e das bancas de rua. Dos pratos de insectos e das massagens. Da Tailândia profunda e de alma. Da Tailândia da Ásia.

Na segunda ronda Banguecoque mudou de cara. É uma cidade que tem a mesma proporção de tamanho e de mistura. Desta vez ficámos no labirinto dos grandes edifícios e no foco das milhares de luzes. Banguecoque não escurece. Banguecoque não dorme. Não se sabe, não se vê e é impossível de adivinhar onde termina.

Numa cidade que cruza as margens do antigo e do moderno tudo pode acontecer. Há muita vida, atarefada, na zona nova. As pessoas vão enchendo o metro, as ruas e os escritórios. Aqui as bancas de rua são menos e os centro comercias são a mais, chegam a ser três em paredes meias. O movimento é frenético e assim, Banguecoque está vivo.

Do outro lado, a vida também vai mas sem correrias. Sem passos apressados para o escritório do vigésimo andar, a vida segue em função dos que os visitam, de nós turistas.

A zona antiga tem a magia da Tailândia e o segredo da Ásia. Aqui visitámos os templos, os budas e os restaurantes de rua. Fizemos por opção, insanidade absoluta, 6km a pé para a zona nova. Estávamos verdinhas de sabedoria em relação à dimensão da cidade, não sabíamos o que esperar e para nós, naquela altura, Banguecoque ainda era apenas a zona antiga. Queríamos ver o jogo de luzes do cimo de um prédio e depois de uma pequena pesquisa encontrámos o local ideal, o mais alto, e sem medos pusemos os pezinhos andar.

Na inconsciência e inocência, e que correu bem, fomos a pé para a zona nova da cidade. Já se fazia noite e todos os lugares que percorremos estavam desertos. Com receio avançámos sem saber se íamos no caminho do certo. Foi o certo mas uma loucura. Só maluquinhas como nós é que se põem a fazer 6 km para ir ver luzes, já depois de terem estado andar o dia todo. A vista, no fim, valeu a pena e o regresso fez-se de tuk tuk.

A estadia na zona antiga terminou com um voo para Phuket.

A rota da zona moderna, já com a barriga cheia de ilhas, incluiu uma estadia num hotel com piscina no topo e umas voltas pela zona de comércio, como quem diz, centros comerciais e o melhor de todos os mercados. Considerado um dos maiores do mundo o mercado de Chatuchak foi a nossa perdição de pechinchas e souvenirs. O jardim junta não só um mas três mercados, funcionam ao fim de semana e recebem milhares de pessoas por dia.

Feitas as compras e dados os últimos mergulhos foi tempo de voltar a ficar sozinha por aqui. Acompanhei a Margarida ao aeroporto, eu e os apêndices, no domingo de manhã e já com um sentimento de ausência disse-lhe até já. Andei muito tempo sozinha, e gosto muito, mas depois de ter companhia fica mais difícil voltar a estar só.

Mas estou quase quase de regresso a Portugal e Banguecoque é agora o meu lugar de espera. A sala que me acolhe até levantar voo.

E Banguecoque não pára. E eu também não (:

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