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O regresso

Acabou o bem bom. Foi assim num piscar de olhos e numa mão cheia de grandes aventuras que 3 meses se passaram. E neste regresso a sensação é ambígua, uma verdadeira luta entre a ânsia de voltar e a vontade de continuar.

A 14 de Janeiro não sabia quando iria ser o meu regresso, não fazia ideia se seria apenas um mês ou mais que três. Não tinha bilhete de volta e sem pensar muito fui deixando as coisas acontecer, o plano era não ter plano nenhum.

Saí de Portugal apenas com uma certeza, o Nepal seria o primeiro destino. Não sabia se iria a 2, 3 ou a mais países, tudo era possível. E é bom ter tudo em aberto, dá-nos a oportunidade de mudar de ideias sem medos.

Mas o receio existe e sem piedade atingiu-me logo na primeira noite no Nepal. Afinal que ideia maluca era a minha de sair do meu conforto e enfiar-me sozinha num país asiático?! O coração batia acelerado, como nunca antes, e por momentos pensei que não seria capaz. Mas fui.

Em três meses conheci três países que me deram não só uma lufada de boas paisagens como reforçaram a minha ideia de que o mundo é sempre mais do que pensamos.

Do Nepal fica o povo carinhoso, a generosidade daqueles que nos vêm como ajuda, lugares de tirar o folgo e uma experiência que me pôs a trabalhar na construção. Podemos sempre dar mais do que imaginamos e viver com menos do que pensamos. Do Nepal, a gratidão.

Do Vietname adrenalina, muita adrenalina. E ao mesmo tempo muita calma. Do Vietname o passeio e o voluntariado, o conhecer e o sentir mais. Na loucura das estradas e na paz do campo o Vietname não se esquece.

Da Tailândia, em dose dividida, primeiro o norte e depois o sul, fica o encanto do Norte, da sua simplicidade​ e da paz que se encontra sem procurar. O norte e os elefantes, o inesquecível. Do sul a agitação, o turismo e as ilhas. Banguecoque esquizofrénico que consegue ser muitos numa só cidade. Banguecoque das baratas no rua e no prato, das ratazanas na rua e no centro comercial, onde a vida animal não se importa com a urbanização. Das ilhas um amor crescente. A Tailândia é mais do que se vê e nunca vai ser possível decifrar todos os seus segredos, fica o encanto desta pérola da Ásia.

Desta loucura toda fica a certeza que o que importa não é o lugar, o dinheiro ou tempo. O que importa é a vontade e o empenho que pomos nos nossos objetivos. Ficam as pessoas que se cruzaram comigo e que de várias formas me transmitiram segurança, amizade e força.

Ficam três países, dezenas de viagens, onze aviões, doze autocarros, seis barcos, um night train asiático, quatro motas, seis tuk tuk, treze hosteis, seis hotéis, uma tenda numa montanha nepalesa, noites no aeroporto, vinte e duas camas em que este corpinho repousou, duas malas que foram a minha segurança e o meu desespero, uns quantos euros, rupias, dongs e bahts a menos. Fica um turbilhão de sentimentos que não se consegue explicar e  voltar à “vida” será duro mas necessário. Ah e uma diferença horária que vai ser difícil de pôr em ordem.

Ao fim de três meses esta aventura termina, podia ficar mais tempo mas há uma conta bancária que precisa de ser reabastecida e é nesse objetivo que estarei empenhada nos próximos tempos. O que agora termina não vai tardar a recomeçar e entre as obrigações, paixões e  viagens vou vivendo sem muita pressa de crescer.

A minha avó apelida-me de “excursionista”, acha que lhe sigo as pisadas nas grandes excursões que com o meu avô os levaram a muitos sítios, não se lembra quais, muitos chega.

E eu aceito o desafio, que venham muitos  países e todos os continentes porque eu estou a preparar-me para que esta loucura de ser “excursionista” seja um modo de estar para toda a vida (mas numa versão adaptada, calma, não vou comprar colchões aquecidos, cadeiras de massagens ou robôs domésticos, nem cantar Toy no microfone dos transportes).

Avó, podes preparar o pitéu que encomendei, a tua neta excursionista vai a caminho. Mãe, sei que estás alugar a minha cama, podes mandar o pessoal embora. Pai, podes respirar fundo, o teu dinheiro está a salvo, por agora. Joana, maninha querida (não te chamo nomes feios em público), obrigada por toda ajuda e disponibilidade, sempre. A todas as pessoas que seguiram esta aventura obrigada pelas palavras de incentivo, afinal de contas quando se está longe (e sozinho) tudo faz a diferença.

Continuem por aqui porque haverá, certamente, sempre novidades para contar (:

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