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Noruega Travel Diary

Mergulhar no Ártico

Quando decidi vir para a Lapónia fiz uma lista de coisas que gostava de fazer e de ver, no entanto mergulhar no ártico não era uma delas. Talvez porque sou friorenta máxima, ou melhor, era. Entretanto as coisas já melhoraram e a minha percepção de frio mudou,  desconfio que isto vai ser ver-me de calção, t-shirt e sandália no mês de Dezembro em Portugal.

Em relação a nadar no Ártico foi uma história com dois capítulos e muita hesitação,  às vezes é só preciso mais um pouco de coragem e ir sem pensar muito. Esta experiência vai entrar para o meu top das coisas que só faço uma vez na vida.

Fui à Noruega duas vezes e só na segunda consegui despir as 3 camadas de roupa e pôr o fato-de-banho. Na primeira o que aconteceu foi que mesmo vestida até aos olhos já não sentia o corpo de estar tão congelada. A circulação parou durante os quinze minutos que tive fora do autocarro e o meu telemóvel morreu 4 segundos depois de tirar uma fotografia, por ter a bateria demasiado gelada. Pensei, “não, isto não é para ti”. E segui viagem, afinal não era assim tão corajosa.

Primeira tentativa. Nem pensar

Mas quinze dias depois surgiu outra vez a oportunidade de voltar à Noruega e à praia/sauna do ártico, e decidi que tinha de pôr os queixumes de frio de parte e dar um mergulho. Pus o fato-de-banho na mala e desta vez tinha mesmo que ser sem desculpas, ia voltar só para tirar as teimas!

E a verdade é que aconteceu mesmo, estavam muitos graus negativos mas foi uma sensação do caraças. Não vou gabar-me de um mergulho espetacular tipo Michael Phelps, foi um mergulho tímido do género de mãe que não quer molhar o cabelo. Mas calma, fui lá duas vezes. Para conseguir ter uma fotografia (de prova) da brincadeira tive que repetir o mergulho.

O meu grande problema foram mesmo os pés, até a areia está congelada, o resto do corpo suportou bem o frio mas deixei de sentir os pés durante uns 5 minutos. Foi aquela sensação de dormência, não sei como consegui fazer o caminho do mar à sauna, eu andava mas não sentia o chão e acho que andei com o meu inconsciente porque para mim eu tinha deixado de ter pés.

A sauna ali estacionada ao pé da praia, por aqui não se brinca.

 

A sauna a seguir foi um abraço caloroso e a palavra amiga que diz “está tudo, sobreviveste”. Acho que depois disto já sou capaz de tudo!

 

Nazaré? Fácil!

Algarve? Esse jacuzzi? Quente, quentinho! 🙂

 

Ps: da primeira vez fui almoçar ao único restaurante da pequena vila Bugøynes, no norte da Noruega, e paguei a modéstia quantia de 14,5€ por um caldo de água com peixe. Senti-me roubada, esfrangalharam-me as poupanças. Mas tuga que se preze não é apanhado duas vezes na mesma rede, na segunda vez levei o farnel. Se vierem para o norte da Europa preparam-se para largar a nota ou comer sandochas a toda a hora. Mas a paisagem compensa e até podem comer em modo pic-nic em qualquer lugar.

aquele pitéu de luxo

 

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